polenta

Comida com afeto, sim senhor…

” Numa viagem, nunca repita o mesmo restaurante”… Sim, sempre tive isso pra mim em 98.99% dos casos. Isso se confirmou em Bruges: o excelente-Olive Tree da primeira vez, tornou-se o bom-Olive Tree na segunda visita, enfim… Regularidade é uma das ótimas qualidades de um restaurante, mas nem sempre é possível manter o mesmo padrão de qualidade todos os dias.O problema é quando você se encontra num ambiente de muitos restaurantes semelhantes (não necessariamente regulares… ) E foi justamente essa a grande dificuldade: fugir da similaridade, do que se diz ser o “tradicional”. A região de Bento Gonçalves é conhecida pela fartura de seus restaurantes, a maioria de cardápio italiano tradicional-super-farto: pães, salames, queijos, saladas, várias massas frescas, com molhos ricos, um-melhor-que-o-outro, a base de manteiga, bacon, carnes… Galeto, codorna, fillet, costelinha de porco… Sobremesas, cafezinho… Endless…
Enfim, não dá pra comer tudo isso, todo dia, toda refeição… Logo na nossa primeira refeição na região, caímos nesta tentação em grande estilo: Casa Madeira. Ótimo, delicioso, e também dispéptico (relativo a dispepsia*).
E a partir desta refeição refiz os planos: Requisito número 1, se formos repetir a tradicional refeição italiana, que esta aconteça no almoço. Requisito número 2: tem que ter salada.
No dia seguinte, achamos a solução pro resto da nossa viagem. Felizmente dentro da própria cidade (não precisa pegar rodovia!) e freqüentado basicamente por locais, o que pra mim reforça a ideia de que esta história de refeição-italiana-tradicional é coisa voltada pra turista… E na contra-mão do “tradicional-turista”, achamos o Sapore & Piacere www.saporeepiacere.com.br  .Que em uma frase eu descrevo como : “warming welcome followed by local-fresh-and-comfort food” E foi eleito como no nosso “restaurante pra almoço”, porque infelizmente não servem jantar. Assim que você se acomoda, a casa serve uma canequinha de caldo, pra aquecer… Que eu chamei de “lovely warming welcome”. Antes do prato principal que é único no dia, você pode se servir a vontade de uma mesa de antepastos que eu chamo de “local-fresh-food”: pães, folhas verdes variadas, castanhas laminadas, legumes grelhados, brotos, queijos/copa da região, tudo super fresco… Dai vem o prato principal, que eu chamei/chamo de “comforting food”, porque foi, todas as 3 vezes que estivemos, bem reconfortante: risoto de linguiça, torteloni de espinafre com nozes na manteiga com sálvia e finalmente uma polenta mole com ragu de carne e cogumelos. E o prato chega à mesa fumegante, com um galhinho de tomilho que a chef acabou de colher dos vasos próximos à cozinha… Comfort  ou não? Sucos, refrigerante, vinho em taça, sobremesa e café completam a refeição.
No nosso último almoço enquanto Fer terminava sua sobremesa, eu pensei: “um gole a mais de vinho seria ótimo, será que eu peço mais uma taça de vinho?” Como se estivesse lido minha mente, a chef me ofereceu: “quer meia taça?” Meia taça de vinho! Quando e onde no Sudeste você pode pedir 1/2 taça de vinho? Genial, adorável, comida honesta, no melhor e real sentido da palavra…

*Dispepsia (do grego (Dys = dificuldade, e Pepse = digestão)) é o termo médico que designa “dificuldade de digestão”, popularmente conhecida como “indigestão”. Desconforto que pode ser acompanhado de distensão abdominal, náuseas ou azia.

 

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Publicado em: 18 agosto 2016